quinta-feira, 19 de abril de 2012


Enfanado

Minha vida é um grande tédio!
As nuvens passando e a solidão abraçando-me,
Essa angustia de estar sozinho.
Minha vida é um grande tédio!

Um aperto no peito,
No guarda roupa meus velhos rastros,
Toda minha roupa!
Toda minha roupa?
Não minha história obsoleta!
Meus livros,
Minha infância
E o sabor do grande tédio.

Quais são os segredos de quem não tem mais segredos para dizer?
Em meio a mentiras torno-me mentiras,
Sou uma fraude,
Menti para mim mesmo!
Minha vida é um grande tédio!

Fico esquartejado e trancado em uma caixa de cristal,
Na taça de prata sobre a mesa,
O reflexo torto de quem não sabe sentir.
Minha vida é um grande tédio!

Estou cansado!
Fadigado,
Quero sentir, uma lógica.
Hoje não quero sair!
Quero deitar-me na cama e escrever que estou vivo!
Engasgado com palavras, cansado de titubeios,
Eu aceito a solidão,
E assim me compreendo no fato de existir.
Minha vida é um grande tédio!


Sou algemado e acorrentado,
Simplesmente arrastado,
Para o cemitério das ilusões.
Vejo minhas histórias, minhas fantasias,
E meus contos.
Vejo descer lágrimas dos meus olhos,
Tão submissas a tristeza.
Chega!
Eu estou farto!
Tudo isso é um grande tédio!
Simplesmente por causa do tédio,
Esse tão famoso tédio.
Minha vida é um grande tédio!


Felipe Santos 

Nenhum comentário:

Postar um comentário