sexta-feira, 15 de março de 2013



Como quando e o que?



          Tudo começa quando as luzes se apagam eu fico aqui sozinho, pensando como escrever uma história, pensando como escrever um poema que fale de amor ou de outras coisas da vida, como os muitos sonhos que falecem a cada instante nessa atmosfera fútil, onde os holofotes falam mais alto no fim da noite.  Depois de muito tempo escrevendo esboços de própria esperança, forjando rimas pobres e ricas em versos calejados de sentimentos, que borbulhavam dentro de mim, depois de muitas cartas de amor, romances toscos e ensaios de contos de gaveta, eu vim parar aqui, onde as palavras adormecem nos flagelos sociais. O mundo em minha volta já não me trás a excitação para escrever, é tudo muito neutro, com pessoas que dormem e acordam em cima do muro, abraços e beijos digitados em bate papos e onomatopéias de sorrisos que nunca se fizeram presentes na face.
            É muita frase de auto-ajuda espalhada em um mundo que não se ajuda, que não se encara e como diria Renato Russo, gente que não se respeita. E o que escrever no meio disso tudo? Uma novela de fofoca, traição e intrigas? Um romance de fantasias sexuais para mulheres solitárias e carentes com perfil em rede social? Mais um livro de demagogia que tem no título a vitória está dentro de você? Ou roteiro de seriado que nunca reflete nem combate da diferença social das civilizações atuais? Como viram opções de lixo literário para escrever não falta, e muitas dessas opções acabam ganhando prêmios e cadeiras em academias nacionais e mundiais, virando tema de palestras que são acessórios do capitalismo.
           Mas o que escrever? Talvez sobre esse mundo e muitos outros mundos já esquecidos, terras do nunca de um Peter Pan que já cresceu e não consegue mais voar, sobre as cidades fantasmas quem sabe, aquelas dos livros de ilustração mofados da biblioteca que fechou, ou sobre a minha falta de criatividade melancólica e saudosista, que é mais uma piada sem graça desse humor que chamam de inteligente. Eu ainda vou sentar nas praças enfeitadas pelo descaso, e buscar motivação nos casais que nem sei se vão estar lá; ainda vou ver pessoas se empurrando em busca de liquidações e possibilidades vazias de um consumismo, e expor isso em minhas crônicas que para muitos são pessimistas; ainda vou rimar verbos e adjetivos em poemas sentimentalistas, que ficam arquivados nos meus documentos; e voltar para casa numa manhã singular depois de mais uma noite de trabalho, onde nos intervalos dos protocolos eu me perguntei constantemente, o que escrever? Sobre o que escrever? E como escrever?


Eriberto Henrique, Jaboatão-PE. 04 de Outubro de 2012.


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