quinta-feira, 31 de agosto de 2017


Por mais de 500 anos em coma

 

             Muitas reivindicações, palavras ditas ao calor da revolta, de um povo cansado da chibata, cansado da grande senzala que se tornou o país, que cresceu nos jeitinhos de saqueadores, exploradores de novas terras, burgueses e reis falidos, que encontraram na Ilha de Vera Cruz, uma possibilidade de voltar as suas riquezas. Uma pátria rica e violentada desde 1500, que passou por revoluções e teve sua independência comprada, e forjou seu povo a base de preconceitos e interesses pessoais. Religiões, crenças, mitos, o Brasil virou uma mão solteira de braços abertos, um lugar de fronteiras curtas esperando um novo visitante fazer morada, um país de muitas raças e muito racismo, onde a violência deu lugar ao diálogo.

              Chegamos aqui, em século que nem acreditávamos que viveríamos, olhando pelas janelas de nossas almas, um Brasil de bandeiras hasteadas, tentando um novo futuro, para se redimir de um passado. Fico aqui pensando o que Dom João faria, ao chegar no Brasil e vê os índios e com suas flechas dizendo, fora daqui, mas deixando nosso passado de lado, o que vejo é as tribos de agora nas ruas, dizendo para os reis que em nosso país não existe monarquia, que somos realmente uma democracia, que fala, que escuta e que vê, que tem capacidade de tornar seus sonhos realidade, e refletir na pele as cores de nosso país. Porque esse é o nosso lugar, porque aqui nascemos, com todas as dificuldades e tropeços, somos brasileiros de nacionalidade, querendo ou não, temos responsabilidade com nossa herança.

              Que as pautas estejam na mesa, que os diálogos sejam decisivos e sinceros, que a paz e o bem estar da nação, estejam em primeiro lugar, que juntos possamos escrever uma nova história, de um começa que já virou piada. Não somos o país do futebol, somos o país do futuro, um gigante que por mais de 500 anos, permaneceu em estado de coma.


Eriberto Henrique, Jaboatão-PE. 26 de Junho de 2013

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